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Web 2.0: a necessidade é a mãe da invenção Agosto 3, 2008

Posted by spalsp in Uncategorized.
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O que aconteceu com a web desde seu surgimento nos anos 60 tem se mostrado como um reflexo do que adverte a sabedoria popular. A tendência da web tem se mantido como ser um bem público, meio de manifestação para qualquer cidadão do mundo. Os pontos onde se conectam cada participante desta rede são os elos entre as necessidades particulares e comuns. Ao se tornarem públicas a todo o tempo por meio de novos produtos, estas necessidades mantêm uma dinâmica contínua de tornar impossível qualquer intenção de barreira, pela liberdade essencial que a web oferece.

Esta intransigência da web é uma grande razão do seu sucesso e o que fez com que todos percebessem que não era apenas uma bolha, mas permitiu que marcasse a história da humanidade inclusive trazendo um novo paradigma dos direitos. Mesmo com legislações para garantias aos cidadãos, a regulação e a restrição não estão no contexto da web. Talvez daí venha mais uma reinvenção da ética, além daquela formalizada e garantida pelos meios convencionais.

Nesses e em diversos outros aspectos, a web se reinventou, com práticas que se mostram cada vez mais permissíveis ao usuário. Da possibilidade fantástica de interação via troca de mensagens instantâneas, às formas mais recentes de adequar os conteúdos aos interesses dos usuários. Passamos por um momento decisivo que pode ser uma evolução do primeiro modelo web.

No decorrer dos anos de vida da web, como mostra Frederick van Amstel, chegamos a uma versão avançada da web que é um movimento social que discute os fundamentos da rede, não uma versão de software ou de arquitetura de redes e é a primeira vez que isso é feito em público. A web 2.0 também se diferencia por permitir não só diferentes formas de disponibilização do conteúdo, mas também para torná-la mais acessível por meio de novas opções de busca.

Esta novidade 2.0 mostra que a passividade não tem vez neste meio, o comportamento dos indivíduos na web e na sociedade “real” se modificam mutuamente. Isso aparece de maneira mais clara nas sociedades em que a democracia já tem conquistas mais consolidadas. Quando a censura é mais forte, a web é o meio mais libertador como se vê em sites contra medidas do governo chinês ou cubano, por exemplo.

Na dimensão online, o usuário interage cada vez mais, compartilha o que produz de forma também mais altruísta que na vida real, tanto que a agenda do século 21 é sócio-ambiental. As redes também se fortalecem por meio das ferramentas web e, novamente, os benefícios pelo conhecimento dos direitos levam a mais meios que possam garanti-los e ainda a participação da sociedade nas decisões globais desses direitos.

Todos nós estamos tão integrados a esta rede que, como profetizou Muir Grey, do NHS Institute, durante o Colóquio Cochrane realizado em São Paulo, em 2007, em poucos anos não se falará mais “se conectar a internet” porque esta estará permeando os produtos, meios de trabalho e relacionamento da sociedade global. Tudo estará conectado a internet, assim como não se fala mais em usar a energia elétrica, simplesmente se pressiona o interruptor para acender a luz como qualquer movimento diário.

Talvez por associação a ferramentas mais acessíveis, isso chegue de maneira mais justa às populações mais desfavorecidas hoje. Em 2006, a estimativa era de que 45% de vilas da África Subsaarianaa são cobertas por sinal de telefonia móvel em 2006, não significando conectividade, mas que os sinais estão disponíveis, conforme relatório da International Telecommunications Union.

O celular que dá maior poder às pessoas por serem portáveis, pessoais, acessíveis realmente em qualquer momento e lugar (não ficam em uma sala como um PC, têm custo relativamente baixo e durabilidade), podem ser a saída que vai provocar maior sede de conteúdo interativo e participativo, que estão próprias palavras e contexto do usuário.

O fato é que todos nós somos parte desta teia em algum ponto e, como mais um passo adiante da web 1.0, o comando do usuário trará mais quebras de paradigmas do ponto de vista da qualidade do conteúdo disponível na web. É possível constatar isso, por exemplo, na sociedade americana em que ¾ das pessoas que buscam informação sobre saúde não checa a fonte ou data da informação de maneira consistente, de acordo com um estudo da Pew Internet & American Life Project, de 2006.

Pela própria necessidade de garantir essas interações, os maiores filões da web passaram a ser as ferramentas que permitissem para isso. Daí a diferença principal que marca um novo momento para a web. A vida na web passou a exigir ferramentas para permitir os contatos entre os pontos da web.

Comentários»

1. Carlos Castilho - Agosto 15, 2008

Patricia,
Excelente o teu texto. É uma referência. Parabéns e valeria a pena a leitura pelos teus colegas.
Vou recomendar.
Abraço
Castilho

2. spalsp - Agosto 20, 2008

Valeu, Castilho! Também preciso “passear” um pouco pelos blogs do pessoal.
Abraço
Patrícia